HANNA

HANNA

Hanna nasceu na minha casa, filha dos gatinhos da minha irmã, Luiza e Rodolfo. Era a mais miudinha, nasceu muda, em vez de miar, emitia algo como Kraaaa Kraaa. Um amor! E tivemos 13 anos e 19 dias da mais pura troca de amor, de ternura, de respeito, de carinho.
Foi uma vida difícil, cheia de dificuldades e muitas conquistas e superação. A atropelei aos 4 anos de idade. Foram 60 dias de caos, de frio, de tristeza e sofrimento profundo. A extração de um olhinho, a reconstrução do maxilar. Mas juntas, conseguimos!!! Ela viveu muito bem. Ela foi feliz, foi maravilhosa, perfeita.
Ela entendia todos os meus males. Passou ao meu lado momentos bons e também os piores. Aquecia minha barriga quando eu tinha cólica. Ficava ao meu lado quando eu chorava. Compartilhava também da minha alegria. Da mesma forma eu me doei para ela intensamente. Cuidando, zelando, dando todo meu amor, respeito e meu carinho. Acredito que a entendia, que a apoiava, que dava o meu melhor com todo meu amor e gentileza.
Ela foi uma gatinha perfeita. Carinhosa, exigente, discreta, delicada, feliz, linda de ver. Para mim, era a gata mais linda do mundo, mesmo raspada. O cheirinho dela era o melhor do mundo. Minha cheirosa, minha magrela, minha filhinha amada! E eu falei isso para ela todos os dias das nossas vidas juntas.
Ela teve duas donas por obrigação. A mama e eu, mas ela também teve um dono por escolha, o Clovis, meu noivo. Ela o escolheu, se apaixonou, o som da voz dele a fazia vibrar de alegria. Era muito amor, muita ternura. Eu presenciei cenas de troca de amor profundo e verdadeiro, aquele simples, de graça, sem cobranças. Aquele amor que todos deveriam ter o privilégio de sentir pelo menos uma vez na vida. Ela dormia na roupa dele, mal me olhava segunda-feira, porque domingo ele foi embora. Entrava na mochila querendo ir junto. Obrigada, Clovis por ter amado tanto a filhinha.
Dói demais a separação. Não tenho dúvidas que somos almas afins. Agora minha cama parecer ter 50 metros, porque eu gostava de me apertar para que ela ficasse confortável. E o cheirinho? Nossa, o cheirinho dela vai ficar sempre na minha lembrança.
Se valeu a pena? Claro que valeu!! Foram 13 anos do mais puro amor. Isso vale a pena, sempre! Só isso que vale a pena!
Vai em paz, filhinha. Obrigada por todos esses anos ao meu lado, me mostrando o que é o amor, compartilhando tantas alegrias e tristezas. Tu foste uma gatinha admirável e te amo com todas as forças do meu coração. ❤️ Mirele Waltrick